Um Banho Duvidoso!

Depois de repensar o modo como lidamos com o dinheiro em Liberdade Financeira e reconfigurar a perspectiva de como atingir nossos objetivos em Ano Novo – Hábitos e Metas, sugerimos aqui um novo olhar sobre uma das partes mais simples e práticas do nosso dia-a-dia: o banho!

Há o grupo que consideram o banho o primeiro passo do dia, usando os valiosos minutinhos debaixo do chuveiro para despertar, conectar-se e preparar-se para o longo dia que os espera; e o time que usa o banho como um ritual que os separa da rotina e os traz de volta a si mesmos, usando a água corrente para relaxar e deixar as preocupações cotidianas em standby até o dia seguinte.

Independente de qual seja nosso grupo, uma coisa é certa: o banho é um dos momentos mais puros e intimistas do dia, é o momento em que nos reconectamos com nossa mente e nos preparamos para tudo que precisamos fazer.

Mas já parou para pensar que nossas escolhas referentes a esse momento acalentador podem ter influência sobre os efeitos positivos e negativos que ele pode nos trazer?

Tá parecendo papo de louco, né? Como um inofensivo banho pode me fazer mal?!

Vamos lá!

 

Banho – Higiene ou Intoxicação?

Nosso maior órgão é a pele. É ela que faz a proteção primária do nosso corpo contra os fatores externos que podem trazer risco à nossa saúde.

O banho é justamente o momento de limpar nossa pele! Já pensou o que significa se invés de a estarmos limpando, estivermos colocando nela ainda mais substâncias prejudiciais à nossa saúde?

Pois é!

Os produtos de higiene industriais que estamos habituados a usar são inundados de componentes químicos nocivos ao corpo humano.

Isso todo mundo já tá cansado de saber, não?!

Se não, uma pincelada básica para nos situarmos:

Shampoos, sabonetes e detergentes em geral têm função tensoativa, ou seja, são formados por moléculas com característica polar ligada à uma característica apolar.

Tensoativos - Representação esquemática de uma molécula tensoativa

Isso significa que substâncias tensoativas reagem tanto com substâncias polares, como a água que usamos em nosso banho, quanto com substâncias apolares, como os óleos e gorduras presentes no nosso corpo.

Por isso são a substância ideal para auxiliar na nossa limpeza corporal. O problema é que aos shampoos e sabonetes industriais que costumeiramente usamos no banho são acrescidos outras substâncias para ajudar na apresentação, cheiro, durabilidade e resultado aparente do produto.

É aí que está o perigo.

 

Substâncias Nocivas

A maioria dos produtos de higiene pessoal de larga escala, além das substâncias tensoativas, incluem compostos como sulfatos, parabenos, óleos minerais, derivados de petróleo, entre outros.

Banho - Composição química indicada no rótulo de um shampoo industrial
Exemplo de rótulo de um shampoo industrial padrão.

 

Essas substâncias são necessárias para manter o produto em bom estado, mas também são nocivas para o nosso corpo. Vejamos:

*Nota: serão comentadas algumas notas atribuídas a cada substância pelo relatório da EWG, associação ambiental americana que pesquisa e advoga na área de produtos químicos tóxicos ao homem e ao meio ambiente.
Quanto menor a nota, menor o risco à saúde.

 

 

 

 

Sulfatos

Uma substância química sintética com alto poder detergente e baixo custo, por isso está presente na maioria dos produtos de higiene pessoal. É responsável também pela formação de espuma dos shampoos e sabonetes.

O problema com esse componente é que ele é “bruto”, seu poder detergente é intenso e pode acabar retirando barreiras naturais de proteção e hidratação da pele, ocasionando descamação, coceira e irritação e fragilizando e ressecando os fios de cabelo.

Sabe aquela sensação de aspereza na mão depois de lavar a louça? É!

 

Nota EWG: 1 a 3

 

Cocamide DEA

Outra substância tensoativa de baixo custo, é obtida pela reação da dietanolamina com os ácidos graxos do óleo de coco.

É usada para formação de espuma e para dar textura aos produtos, já foi proibida em alguns lugares por ser considerada potencialmente cancerígena por instituições como a International Agency for Research on Cancer (IARC).

 

Nota EWG: 7

 

Petrolatos

Derivados de petróleo muito utilizados em produtos capilares e loções corporais por seu baixo custo. Sua função é dar a sensação de maciez pela criação de uma película impermeável que impede a perda de água.

Película essa que não possui nenhum valor nutricional e impede a reposição nutricional natural da área, agindo de forma a “mascarar imperfeições” sem de fato nutrir a região.

Isso pode gerar acúmulo de resíduos e entupimento dos poros da área aplicada, enfraquecendo e refreando o crescimento dos fios e podendo causar dermatites na pele.

Além disso, petrolatos geralmente vêm contaminados por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), substâncias apontadas como cancerígenas para os humanos e outras espécies.

 

Nota EWG – Petrolatos: 1 a 4

Nota EWG – PAHs: 9
 

Dica:

No rótulo, os petrolatos vêm mascarados por diversas nomenclaturas, como:

Petróleo Liquefeito, Petrolatum, Parafina Líquida, Óleo Mineral, Vaselina e Óleo de Parafina.

 

Parabenos

Agem como conservantes para evitar a proliferação de microorganismos e garantir longa vida útil ao produto.

Estudos como do pesquisador John Sumpter da Universidade de Brunel, Grã-Bretanha, de 1998, identificam os parabenos como mimetizadores estrogênios, que podem ocasionar disfunções hormonais, cujas possíveis consequências são o aumento da suscetibilidade ao câncer de mama, diminuição do nível de testosterona e da contagem de espermas.

Nota EWG: a maioria se mantém entre 1 e 4, mas alguns chegam a 8.

 

Fragrâncias

Abundantes em produtos de higiene, as fragrâncias não precisam vir especificadas no rótulo, então é difícil determinar sua segurança à saúde.

De modo geral, instituições como SCCNFP  The Scientific Committee on Cosmetic Products and Non-Food Products Intended for ConsumersScientific Committee on Consumer Safety e o próprio EWG indicam fragrâncias sintéticas como alergências e tóxicas para o sistema imune e respiratório.

Rótulo de shampoo evidenciando a ausência de petrolatos e sulfatos
Rótulo de shampoo evidenciando a ausência de petrolatos e sulfatos.

 

Banho de Química – Um Ciclo Vicioso

E por que usamos tudo isso? Para manter nossos cabelos e pele limpos? Será mesmo?

Afinal, aposto que você já ouviu sua mãe criticando a quantidade exagerada de lava-louças usado dizendo “espuma não é sinônimo de limpeza”. Não?

É não é mesmo!

A oleosidade corporal humana é uma ferramenta evolutiva que nosso corpo desenvolveu para nos proteger e nutrir nossa pele e pelos.

É claro que durante o dia um número infinito de impurezas vai aderindo à essa oleosidade e precisa ser retirada, mas, se para retirarmos as impurezas, é preciso retirar também toda a camada protetora natural parece que essa conta não fecha, não é?

Retirar a oleosidade e nutrientes naturais e repô-los com substâncias químicas sintéticas e/ou menos nutritivas e hidratantes não só é ilógico como prejudicial, deixando os cabelos e pele menos nutridos do que deveriam.

Algumas consequências brandas e extremamente comuns dessa “lavagem exagerada” na sociedade atual são vistas diariamente por todos nós: oleosidade excessiva, caspa, frizz, cabelos quebradiços e pele ressecada, consequências essas que vivemos lutando para combater, gerando ainda mais trabalho e consumo de mais substâncias químicas.

 

Fim das Químicas

Tá, todo esse relatório é muito bonito e o vislumbre de uma vida sem abuso de substâncias químicas é lindo e encorajador, mas tá longe de ser fácil.

Se não podemos usar shampoos e cremes para lavar o cabelo e cuidar da pele, como manter nosso corpo limpo e cheiroso, livre de pó e sujeira?

Realmente, a resposta não é óbvia e escancarada, mas há diversas opções para quem deseja manter uma rotina mais leve, livre e limpa, que serão listadas no próximo texto da Sessão Palpitante para te dar tempo de absorver tanta informação e refletir se realmente conviver tão de perto com produtos tão poderosos faz sentido para você ou não!

Fique de olho!

 

Fontes

As imagens dessa série possuem links para suas respectivas fontes.

Entre as fontes usadas para a elaboração do texto estão:

Escolha Natural [Acesso em 15/01/2019]

Lookaholic [Acesso em 15/02/2019]

DALTIN, Decio, Tensoativos – Química, Propriedades e Aplicações, São Paulo, Blucher, 2011, cap. 1

eCycle [Acesso em 16/01/2019]

Cosmetologia do Bem [Acesso em 16/01/2019]

International Agency for Research on Cancer

EWG’s Skin Deep – Cosmetics Database

Imagem Destacada – Uol Notícias

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