Eleições 2018 – Sugeridos

Estamos à beira das Eleições 2018.

Nos últimos meses, trouxemos dicas sobre algumas ferramentas para ajudar na tomada de decisão como a Operação Serenata de Amor e os Checadores de Fatos.

Na reta final para o 1º Turno, acreditamos que não há mais ferramentas que possam nos ajudar, pois é o momento de tomarmos uma decisão, decisão essa que não deve ser influenciada pela parcialidade intrínseca a qualquer pesquisa de cunho jornalístico (que na teoria utópica não é tendencioso ou enviesado, mas como é baseada na mente humana, a prática nunca é tão isenta de opinião assim).

 

Coleta de Informações e Escolha de Candidatos

Toda e qualquer ferramenta, debate político, sabatina, entrevista, comparador de campanhas e afins são importantíssimos na coleta de informações e devem estar presentes no processo de escolha, mas o que fazer com cada informação coletada é uma etapa pessoal.

Depois de toda informação levantada, a conclusão sobre qual candidato fará melhor uso de sua visão, proposta e alianças políticas depende de nossas crenças e valores pessoais e a decisão só pode ser tomada por nós mesmos e baseada em reflexões que fazemos individualmente.

Por isso, o penúltimo post da série Eleições 2018 traz 4 obras que podem ser assistidas ao longo da semana e que são capazes de nos trazer reflexões sobre sociedade e política e como nossas decisões e atitudes são capazes de remodelar o ambiente ao nosso redor.

Em essência, nenhuma das obras listadas têm caráter político, mas se vistas com cuidado, elas abordam temas que estão na pauta de campanha de grande parte dos candidatos ao redor do Brasil.

São temas como Meritocracia, Nacionalismo, Homofobia, Intolerância Religiosa, Justiça com As Próprias Mãos, Liberdade de Escolha/Liberdade Política, Armamento (ou direito de usar ferramentas que determinam o futuro de outra pessoa), Posicionamento Político-Social e com certeza ainda outras temáticas.

 

Os Filhos do Caos

Não, os Filhos do Caos não é tipo Black Mirror.

Há a mesma pegada de intensa crítica social, mas o foco é voltado aos dramas e problemas sociais e a tecnologia é trazida à cena apenas como um dos sintomas.

A intensa pressão social sofrida pelos adolescentes japoneses já foi comentada pelo UpToWhat no post Modelo Educacional – Educação Para o Trabalho, por lá, a situação é designada pelo termo Hikikomori para indicar um comportamento de extremo isolamento social no Japão.

O tema vem chamando atenção mundial e tem sido cada vez mais comum esbarrar em notícias sobre mortes e suicídios em terras asiáticas devido à obcecada tentativa dos jovens de superar expectativas da família, dos amigos, do país.

Mas a questão já não se restringe apenas à Ásia; ela está ligada aos avanços da tecnologia e do acesso a ela, relaciona as múltiplas opções que temos atualmente e a confusão psicológica que isso nos traz e tem maior incidência em famílias com alto poder aquisitivo.

Talvez por isso, tal situação pareça muito distante da realidade em países latino-americanos, mas ela é bastante grave e merece atenção.

Além dos Hikikomori, há ainda outros distúrbios comportamentais ocasionados pelas altas pressões sociais às quais estão sendo submetidos jovens – no Japão e no Mundo – como os Herbs e as Career Women.

Os Filhos do Caos é uma série original da Nextflix produzida na China que traz uma visão humana e empática de tais situações e distúrbios em 5 longos episódios (todos próximos dos 100 minutos) em mandarim, aumentando a imersão cultural.

O conteúdo é bastante impactante e necessário para repensarmos a forma como encaramos e planejamos a vida, principalmente em um momento histórico em que a performance e capacidade produtiva estão tão em voga, disputando um local de destaque com a humanidade e qualidade de vida.

 Divulgação da Série Original Netflix - Filhos do Caos

Pontuação IMDB: 6,9/10

 

Er Ist Wieder Da – Ele Está de Volta

Filmes e livros sobre Hitler por si só já atraem multidões. Entender o que levou milhares de pessoas a cometer atrocidades acreditando cegamente que sua causa era justa é uma das questões que mais incomodam a humanidade nesses quase 75 anos.

Ele Está de Volta propõe uma reflexão: o que aconteceria se Adolf Hitler despertasse magicamente e voltasse a circular na sociedade alemã hoje?

Na reflexão, Hitler seria o mesmo Hitler que conhecemos: nazista, nacionalista, firme em sua teoria de superioridade da raça ariana, repugnado com a presença de judeus, negros e homossexuais.

A obra, diferente do que parece, é extremamente engraçada e divertida, a reflexão é conduzida de forma a tornar o filme entretenimento puro, mas está longe de ser leve.

Em meio a gargalhadas, o espectador é impelido a chocar-se com a brutalidade das afirmações do nada saudoso ditador e, aos poucos, percebe como o discurso extremista, preconceituoso e repugnante tem semelhanças assustadoras com muito do que se tem ouvido nos dias atuais sobre problemáticas como Direito das Mulheres, Ideologia de Gênero, “Justiceiros” (entre parênteses porque punir criminosos fisicamente e sem rigor jurídico nem poderia ser chamado de Justiça), Posse de Arma, Refugiados e tantas outras temáticas.

Em tempos tumultuados social, econômica e politicamente como o 2018 que estamos vivendo, o filme é uma ótima maneira de aliviar as tensões da rotina ao mesmo tempo que se reflete sobre nossos próprios valores e vulnerabilidades.

Indicadíssimo.

 Ele Está De Volta - Cena do Filme

 

Pontuação IMDB: 7,1/10

 

 

Capitão Fantástico

Sabe aquela sensação de estar fatigado, sob pressão, exaurido e desperdiçando seu precioso tempo de vida vivendo em uma sociedade que não te satisfaz?

Quase todo mundo já se questionou se a vida que se leva é a vida que queria se levar.

Alguns usam essa pausa filosófica para fazer pequenos ajustes no seu modus operandi e seguir em frente. Outros mudam completamente de vida. É disso que trata o filme Capitão Fantástico.

Uma família que vive na mata, sustentada pelos artesanatos em madeira que eles próprios produzem, que praticam ioga e o famigerado homeschooling e vivem em harmonia com a natureza.

O famoso conceito de Sociedade Alternativa (LINK) no molde mais sonhador e clichê possível.

O brilhantismo do filme fica por conta da visão extremamente humana e empática, mostrando os prós e contras nus e crus, o conflito interno dos pais e dos filhos quanto ao seu modo de vida e suas consequências, a falta de apoio e compreensão dos parentes e amigos, as dificuldades e vantagens da escolha.

Durante o filme, o espectador experimenta sentimentos e opiniões controversas que vão de profunda admiração à compreensão de pontos de vistas contrários e contraditórios, muda de lado várias vezes, concorda, discorda, chora, ri, sente raiva, torce.

Daqueles filmes que você esquece que não faz parte do elenco e se emociona com as flutuações de cada personagem. Experimenta compaixão, empatia, solidariedade, conflito, apreensão, dúvida.

Independentemente de seu ponto de vista antes e depois do filme, a maior lição da obra é: a vida é baseada no equilíbrio de prós e contras, toda escolha tem sua recompensa e sua frustração, nenhuma verdade é absoluta e nascemos e morremos tendo muito o que aprender.

Apenas se permita viver e saiba respeitar os direitos do próximo. Indiferente do caminho escolhido, todos percorreremos uma estrada sinuosa e encantadora.

Capitão Fantástico - Divulgação Oficial

Pontuação IMDB: 7,9/10

 

Stanford Prison Experiment

Por último, mas não menos perturbador, um filme ilustrando o experimento da Universidade de Stanford que simula as condições de uma pessoa encarcerada e também de seus carcereiros.

O experimento de 1971 foi conduzido pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Stanford e liderada por Phillip Zimbardo e tinha como objetivo investigar o comportamento humano em grupos.

Partindo das teorias de Gustave Le Bon sobre comportamento social, o experimento criava 2 grupos essencialmente antagônicos e isolava-os do convívio social externo, induzindo-os a sobrepor os valores do grupo às crenças individuais.

O experimento foi patrocinado pela Marinha Americana, na intenção de explicar os conflitos reais do sistema prisional da corporação. Todo o ambiente prisional foi recriado: os voluntários foram “detidos” em suas casas pelo verdadeiro departamento de polícia local, que colaborou com o experimento, foram fichados e encarcerados em uma prisão fictícia dentro da universidade.

Os desdobramentos de uma situação prisional começam a surtir já no segundo dia de experimento e daí até o final do filme é uma aterrorizante montanha-russa emocional – para os personagens e para os telespectadores.

As reflexões seguem a linha do Experimento de Milgram, realizado pela Universidade de Yale 10 anos antes, mas são muito mais perturbadores.

O espectador deve estar preparado para o conteúdo, mas uma vez descobertos os objetivos e as conclusões desse experimento, é provável que sua opinião sobre o sistema prisional e penal nunca mais sejam os mesmos, sendo você a favor ou contrário a ele.

 

 

Pontuação IMDB: 6,9/10

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